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Você sabe estudar?

Alisson Carvalho
Alisson Carvalho

Introdução às técnicas de estudos


Este é um artigo que descreve uma série de técnicas de estudos para auxiliar os estudantes. O uso de bons métodos de estudos fará o aproveitamento satisfatório.

O estudioso Renato Alves afirma, em seu livro (Não pergunte se ele estudou), que muitos alunos que dizem não gostar de estudar é porque na verdade eles não sabem como estudar.

Diante disso descrevemos algumas técnicas elaboradas por alguns estudiosos.


ALVES, Renato. Não pergunte se ele estudou : Como despertar nos filhos o interesse e a motivação nos estudos. São Paulo : Humano Editora, 2012.


1) Prática distribuída de estudos segundo a Curva do Esquecimento


Esta é uma técnica que visa distribuir os estudos ao longo do tempo. Isso tendo em vista por qual período de tempo o estudante quer manter o assunto na memória. Conforme for necessário reter por mais tempo, mais revisões terão que serem feitas. Essa técnica encontra um respaldo no estudo sobre a memória do psicólogo alemão Herman Ebbinghaus. Em 1885, Ebbinghaus fez uma pesquisa sobre a capacidade de se reter conhecimento ao longo do tempo. Nesse estudo, ele observou que o conhecimento vai se perdendo da memória, caso não se faça revisões programáticas do assunto. Sua teoria foi chamada de Curva do Esquecimento e, a partir do comportamento dessa curva, ele propôs um método de estudo.

Assim, se o estudante deseja memorizar, por muito tempo, um assunto aprendido hoje, ele precisará fazer revisões. Logo, ele terá que fazer uma revisão no dia seguinte, outra uma semana posterior e mais uma ao final de um mês. Desse modo, depois de cada revisão feita, ele recupera na memória toda a matéria estudada. Além disso, a curva do esquecimento vai ficando cada fez mais suave conforme se façam os estudos posteriores.

Mais informações sobre a curva do esquecimento


2) Intercalação de matérias diferentes com pausas para relaxamento e recuperação


A intercalação de estudo é a prática de se mudar de matéria que se está estudando para outra a cada período de tempo. Isso tem o objetivo de se manter mais tempo estudando. Entre esses tempos de estudo é necessária uma pequena pausa para relaxamento e recuperação.

De acordo com Piazzi (2014), o ideal é que se estude 30 minutos e descanse 10. Depois podendo aumentar para 40 ou 50 minutos e com repousos de 15 a 20 minutos, não mais que isso. Conforme Piazzi, depois de um período de estudo intenso, os neurônios, que são os responsáveis pela retenção do conhecimento, ficam carentes de substâncias químicas essenciais para as suas funções. Dessa forma a pessoa fica com a atenção debilitada. Assim, deve-se dar uma pausa de no mínimo 10 minutos para que os neurônios se recuperem. Depois disso a pessoa volta ao ritmo normal de estudo.

"Intervalos curtos e estrategicamente espaçados são fundamentais no processo de aprendizagem e memorização. Eles facilitam e aprimoram a busca de informações na memória porque dão ao cérebro tempo suficiente para absorver o que está sendo aprendido." (BUZAN, 2009, p. 25).

​Logo, se sugere uma organização nos estudos em que o aluno estude 30 minutos, ininterruptos, e depois descanse 10 minutos. Depois de cada dois tempos de estudos, altera-se a disciplina que se está estudando. Nos intervalos, o aluno deve fazer algo que não force a mente. Assim, ele pode executar atividades como um relaxamento, um alongamento, uma caminhada leve, um lanche para manter as energias, uma água para hidratar-se ou uma música para descansar. Piazzi (2014) ressalta que, nesses intervalos, não deve usar aparelhos como televisão, computadores ou smartphones para não forçar a mente.


BUZAN, T. Memória brilhante. Tradução de Antonio Moura. Rio de Janeiro: Sextante, 2009.​

PIAZZI, P. Aprendendo inteligência: manual de instruções para o cérebro para alunos em geral. 3. ed. rev. São Paulo: Aleph, 2014.


3) Resolução de Exercícios


A resolução de exercícios também é uma parte fundamental de aprendizagem. A prática de muitos exercícios ajuda a fixar o assunto na memória.


4) Estudos em grupo


O estudo em grupo também é uma forma válida de aprender uma matéria, desde que ele não se concentre nas explicações apenas de uma pessoa. Assim, é preciso que, ao se realizar tal técnica, todos os integrantes do grupo participem ativamente, não sendo meros ouvintes. Assim, caso apenas poucos participem mais, só se beneficiará do estudo aquele que ensinar. É recomendável, também, que os participantes leiam previamente o assunto, para que possam debater sobre o tema, e que seja em grupo de não mais que cinco pessoas. Desse modo, isso servirá para eles se auto-ajudarem a manter o foco além da disciplina nos estudos.


5) Leitura antes da aula


Segundo Castro (2015) ao se ler um texto antes da aula sobre o assunto do mesmo, o estudante aumenta seu nível de aprendizado. Pois assim ele fica mais atento, na hora da mesma. Desse modo ele pode explorar, junto com o professor, os pontos que ainda não entendeu na sua leitura prévia.

Dessa forma, o educador poderia enviar aos alunos um resumo com os pontos que ele irá ensinar na lição seguinte.

CASTRO, C. M. Você sabe estudar? Quem sabe, estuda menos e aprende mais. Porto Alegre: Penso, 2015.


6) Autoexplicação


Essa técnica é usada na hora do estudo de textos. Ela visa facilitar a memorização deles, além de treinar o estudante a transmitir o que aprendeu.

Ela consiste no seguinte: após ler uma parte do texto, o aluno pára a leitura e explica para ele mesmo ou para outrem o que ele entendeu. Depois de ensinar, ele prossegue na continuação do texto, para novamente e explica, e, assim, até o final do assunto. Desse modo, o estudante o terá memorizado, não sendo uma mera leitura automática. Além de tudo, de acordo com Douglas (2015), isso melhora a capacidade de comunicação e resulta em um aumento no rendimento do educando.

DOUGLAS, W. Como passar em provas e concursos: resumo. 10. ed. Niterói: Impetus, 2015.


7) Lembrar-se do assunto antes de começar a estudar


Antes de passar para qualquer uma das revisões necessárias ao estudo, é recomendado que o estudante force a mente para lembrar do assunto antes de consultar o material. Essa é uma das técnicas que, segundo Castro (2015), facilita a memorização do conteúdo. Sendo uma forma ativa de se estudar.

CASTRO, C. M. Você sabe estudar? Quem sabe, estuda menos e aprende mais. Porto Alegre: Penso, 2015.


8) CBL: Questões guias


CBL, Challenge Based Learning, ou seja, aprendizado baseado em desafios. É uma forma de aprendizado em que integrantes de um grupo juntam suas forças para resolver um problema em sua comunidade. Fazem isso seguindo algumas atividades para conseguir a solução do problema e obterem um conhecimento sobre um assunto.

Uma das etapas do CBL é a elaboração de questões guias. Assim, os estudantes, diante de um problema ou de um tema, elaboram diversas perguntas para eles mesmos buscarem as respostas. Desse modo, essas indagações podem ser sugeridas como uma metodologia de ensino. Elas poderão ser geradas, antes da aula começar, pelo professor ou por alunos que estudam com antecedência. Podem ser criadas, ainda, durante ou depois da aula conforme os estudantes forem tendo dúvidas. Suas respostas serão buscadas por toda a classe e não apenas pelo educador, criando um espírito de colaboração nela. Essas dúvidas com suas respostas serão importantes, caso fiquem registradas para consulta posterior.


9) Ler antes de dormir


Antes de dormir, é indicado ao aluno ler um livro que ele goste. Assim, ele aumentará seu vocabulário e a velocidade de leitura, melhorará sua interpretação de textos e se preparará para uma noite tranquila de sono. Essa atividade tem que ser com um livro que o estudante goste ler. Assim, de acordo com Piazzi (2015), ele tomará gosto pela leitura e o deixará mais apto para enfrentar obras mais densas. Piazzi ainda indica uma lista de livros que podem ser mais agradáveis ao leitor iniciante. A obra também tem que ser no formato impresso, pois, assim, descansará mais o estudante para o sono forçando menos a sua visão.

PIAZZI, P. Inteligência em concursos: manual de instruções do cérebro para concurseiros e vestibulandos. 2. ed. São Paulo: Aleph, 2015.


10) Revisão no fim do dia


Para uma melhor memorização do que o estudante estudou no dia é recomendado que ele faça uma revisão do que ele estudou nesse dia antes de dormir.


11) Boa noite de sono


É recomendado que o estudante tenha uma boa noite de sono. É preciso que ele durma em torno de oito horas, pois, é nesse período, que o cérebro se reconfigura para guardar na memória de longa duração o que foi bem estudado no dia. Esse bom descanso também ajuda o aluno a amanhecer disposto a estudar.

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Comentários (3)

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Marlon Aquino

Marlon Aquino

11/09/2021 19:36

Gratidão por compartilhar

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Marisol Souza

11/09/2021 18:07

ola foi o primeiro artigo que li .pois é muito importante aprender a estudar e saber memorizar

obg

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Renata Ramos

Renata Ramos

11/09/2021 18:03

Muito bom

Parabéns!

Formado em Engenharia de Computação em 2016

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