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VOCÊ É O QUE O GOOGLE DIZ QUE VOCÊ É: A VIDA EDITÁVEL, ENTRE CONTROLE E ESPETÁCULO - PAULA SIBILIA

ITAGIBA NETO
ITAGIBA NETO

Hoje venho indicar um texto da Paula Sibilia, bastante gostoso de ler e que nos traz uma reflexão muito importante e atual sobre a nossa relação com o google em uma sociedade do espetáculo na era da informação mediada por grandes corporações.


A autora trabalha o texto com uma aparente sociologia de uma “Sociedade do Espetáculo” (tal como Guy Debord em seu famoso livro), principalmente a partir do conceito de memória (e esquecimento), que justamente forma quem somos através do acúmulo de experiência. Mas o que entra em jogo é justamente o conjunto de  mudanças que atravessam as nossas experiências e memórias através do advento da internet e com o google enquanto uma ferramenta importante dessa mudança. O “ser”, para o senso comum, passa a se tornar algo mais externo a nós e não simplesmente algo subjetivo que toca a nossa constituição enquanto sujeito. A nossa história passa a ser contada pela rede, de tal modo que perdemos o direito de esquecermos de nós - e de sermos esquecidos. Uma questão importante toca no ponto do direito a esse esquecimento, e nesse sentido, criou-se uma batalha judicial para termos esse direito assegurado de um modo tal que a nossa memória - e nossas lembranças/experiências (agora externas e públicas) parecem tocar um passado editável que tange a exibição de uma vida-espetáculo embasada em uma experiência de vida performática mediada por imagens para o olhar do Outro e que agora enfrenta um capitalismo de controle mediado por grandes corporações tecnológicas, tendo o Google um papel fundamental nesse conflito.



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Comentários (2)

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ITAGIBA NETO

ITAGIBA NETO

15/09/2021 02:06

Opa, Vagner, obrigado.

E se você estiver falando do livro do Baudrillard, estava lendo EXATAMENTE agora pra apresentar próxima quinta-feira no grupo de estudos de tecnopolítica da universidade. Vou ver se coloco algo por aqui também :)

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Vagner Bellacosa

Vagner Bellacosa

14/09/2021 19:27

Gostei do texto, vou googlear para ler na integra... mas é um problema antigo, existe um livro da década de 80. Simulacro e Simulaçoes que trata de nossa mascara social e iteraçoes.


Itagiba, parabens pelo artigo, sucesso nos cursos

O "eu" não existe, é pura construção social, pois quem eu era há um segundo já deixou de ser.

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