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Realidade Inventada

Patrick Rinzo
Patrick Rinzo

Você tem duas opções:

A pílula azul, você toma vai para casa esquece o dia, acorda e acredita no que quiser acreditar.

A pílula vermelha, você toma e vai para um mundo completamente diferente, para o país das maravilhas e pode descobrir até onde a toca do coelho vai dar.

  Esse diálogo de cena é uma das mais icônicas no cinema, nele é oferecido para Neo nosso herói em Matrix a oportunidade de conhecer a verdade ou permanecer sem conhecê-la. Baseada em um argumento filosófico popular as pílulas representam, abraçar a dor e aprender com ela ou aceitar uma ignorância que te afaga e te conforta.

  Quando foi lançado em 1999, foi um ápice, devido a tecnologia e o enredo empolgante. O filme mostraria o que estaria por vir em termos de efeitos especiais durante os próximos anos. De lá para cá, foram produções fantásticas dentre elas a de maior bilheteria da história do cinema, Avatar.

 Em comum, ambos transportam os protagonistas para um mundo virtual, onde eles são transformados por aquela realidade paralela, ou realidade virtual mais especificamente. Essa tecnologia cria e insere o individuo em um mundo completamente diferente, para isso é necessário criar meios para essa inserção, geralmente, um par de óculos, capacetes e bem, no caso do Neo, uma pílula.

  Porém existe uma outra tecnologia, conhecida como realidade aumentada, que como o nome já diz, visa aumentar, acrescentar coisas no “mundo real. Esse termo surgiu por volta 1992 com o cientista pesquisador Thomas P.Caudelli, durante o desenvolvimento do Boeing 747, no entanto, o RA veio se tornar popular só anos depois, exatamente em 2016 com o surgimento do Pokémon Go, um jogo aonde se pode caçar, colecionar e até duelar com uma espécie de “bichinho de estimação virtual”, que são inseridos utilizando-se de geolocalização. Esse game ajudou a popularizar essa tecnologia, mas a verdade é que ela já vinha sendo testada em alguns outros setores

Na saúde, existe a fantástica tecnologia Hololens da Microsoft que permite aos médicos se conectarem e serem auxiliados por outros especialistas durante as cirurgias. No ramo imobiliário temos ótimos exemplos, como fazer um tour virtual pelo imóvel sem sair de casa, tudo pelo celular. Um outro exemplo bastante comum, são os famosos filtros do Snapchat e Instagram, o qual insere elementos como orelhas de cachorros, rostos engraçados, onomatopeias e ate cirurgias plásticas instantâneas, o que gerou polêmica e um grande debate sobre o limite de uso saudável desses filtros.

  Existe essa preocupação por parte de alguns e um certo receio, de deixarmos que essa virtualização nos afaste do que é real mesmo, principalmente relações. Uma preocupação até certo ponto pertinente pois somos seres gregários e necessitamos de conexões relacionadas a presença física, um abraço um beijo, mesmo que em tempos de pandemia como os que estamos vivendo, isso tenha se tornado mais cauteloso. Quando somos privados dessa necessidade surgem doenças muitas vezes ditas silenciosas como a depressão, que é algo como a falta de conexão com o seu próprio eu. 

  Não é à toa que tem se discutido o termo sociedade 5.0, que une elementos da Sociedade 4.0 e que foca o desenvolvimento da tecnologia com o propósito de tão somente auxiliar o ser humano. E é assim que o mundo digital deve caminhar, como uma poderosa aliada em que ao invés de afastar nos aproxima, ajuda a curar e a facilitar o trabalho de médicos, professores e diversos outros profissionais, aumentando a chance de reposta a problemas complexos. Criar e inventar uma realidade às vezes se faz necessário, porém como tudo nessa vida o fator responsabilidade, nunca nos deve faltar.


Referências

[1] VENTURA, L. 2019. Realidade Aumentada você sabe o que é? Disponível em <https://olhardigital.com.br/2019/06/29/internet-e-redes-sociais/realidade-aumentada-voce-sabe-o-que-e/>. Acessado em 13 de julho de 2021.


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