0

MANIFESTO CIBORGUE: CIÊNCIA, TECNOLOGIA E FEMINISMO-SOCIALISTA NO FINAL DO SÉCULO XX - DONNA J. HARAWAY

I
ITAGIBA NETO

Na lista dos textos que considero essenciais para se pensar a tecnopolítica, antropologia do corpo e gênero, tão importantes para pensarmos o nosso mundo e a experiência humana, especialmente na relação intrínseca humano-tecnologia no sentido mais amplo possível, trago minha leitura do manifesto ciborgue de Donna Haraway.

O texto se trata de um ensaio que parte do que a autora chama de um esforço para construir um mito político pleno de ironia, fiel ao feminismo, socialismo e materialismo que se fundamenta na produção imagética do ciborgue. Para Donna Haraway, “este ensaio é um argumento em favor do prazer da confusão de fronteiras, bem como em favor da responsabilidade em sua construção”. No que tange ao conceito de ciborgue, pode-se entender como “um organismo cibernético, um híbrido de máquina e organismo, uma criatura de realidade social e também uma criatura de ficção” (pag. 36), mas tomado de tal modo que não há fronteira entre ficção científica e realidade social. E assim sendo, o ciborgue nos aparece como uma ficção que mapeia a nossa realidade social e corporal através de um recurso imaginativo que determina a nossa política e a nossa realidade material. A partir dessa colocação, a autora traz uma reflexão sobre barreiras e dicotomias, defendendo que distinções entre ficção e realidade, biológico e não-biológico, físico e não-físico são bastante imprecisos, de forma que abre para um repensar sobre distinção entre cultura e natureza através do mito do ciborgue (aqui defendido) que rompe barreiras e que traz possibilidades outras de existir, em especial, dentro do que se propõe, ao que tange as reflexões acerca dos gêneros. 



0
0

Comentários (0)

None

Brasil