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Experiência Paralela

#Soft Skill
Raphael Fontoura
Raphael Fontoura

Olá a todos.


Após um tempo tentando encontrar o meu espaço na área de desenvolvimento de software, e vendo outros passando por situação parecida, resolvi escrever este pequeno artigo.


Todos são bem vindos a ler, mas acredito que este artigo será melhor aproveitado por profissionais que estão em busca de mudança na carreira, e aqueles que se intitulam caçadores de talentos.


Passei por algumas entrevistas de emprego. Ao que parece, acredito que fui bem até nos testes técnicos (quando aconteciam). Porém, talvez por conceitos enraizados, quando perguntam sobre minha experiência, respondo que não tenho a experiência profissional desejada pela vaga (mesmo sendo uma vaga de Júnior). Mas será que não tenho mesmo?? Será que um profissional com 10, 15 ou mais anos trabalhando realmente não tem experiência nenhuma que venha agregar em uma futura equipe e futura empresa??


Assim sendo, procurei alguma forma de sintetizar esta ideia e me veio o título deste artigo. Experiência paralela. Acredito totalmente nesta experiência paralela. Vou tentar trazer alguma vivência profissional que acredito fazer parte do meu currículo, baseado na minha profissão atual, e mostrar que estas experiências são tão ou até mais importantes na área de produção de soluções computacionais.


Já passei por muitas situações de prazo apertado, ou até prazo vencido e tive, em todas elas, que executar duas atividades subjetivas para conseguir contornar os problemas. Uma delas era a gestão de tempo vinculado a prioridades. A outra era a negociação com o cliente. Essas duas normalmente caminham juntas. Para você negociar com o cliente, é necessário escutar, entender as reais necessidades deste cliente, e com isso você será capaz de levantar o que é prioridade e negociar novos prazos, com entregas importantes para o cliente, dividindo em pequenas entregas para conseguir agregar valor ao negócio do cliente de forma constantes e intervalos mais curtos. Isso não é algo simples de relatar em um currículo de forma objetiva.


Ainda nesta linha, entrando um pouco mais no universo do cliente, existe outra capacidade que não é tão fácil para aqueles recém formados ou iniciantes no mercado de trabalho. É a capacidade de ter uma visão clara do negócio do cliente. Hoje este conceito é bastante abordado por métodos como o DDD. O domínio do negócio do cliente é importante para saber exatamente o que o cliente quer com um determinado aplicativo. Quais problemas ou desafios ele quer resolver com o poder computacional. Ao trabalhar com clientes de diversas áreas (setor hoteleiro, setor público, empresas de logística, hospitais, entre outros) vai ficando cada vez mais fácil conseguir entender novos negócios e levantar as reais necessidades do cliente. Ainda existe a possibilidade de sugerir soluções que tiveram sucesso quando aplicadas em outros domínios que poderiam ser adaptadas ao negócio em questão.


Algo que não poderia deixar de fora aqui é a inteligência emocional. Infelizmente não conheço escolas que simulem situações de estresse para você aprender a superar tais adversidades. Mas com certeza você terá que aprender na vida profissional. Divergências existem em qualquer empresa, com qualquer cliente, até em nosso lar. O importante é como você vai lidar com estas divergências. Como vai lidar com um chefe que foi arrogante, mas que talvez também esteja muito estressado com as pressões que vem sofrendo. Esta é uma capacidade que merece atenção.


Lembro quando assumi meu primeiro estágio. Estava concluindo o curso de técnico em informática. Na época já buscava cursos de férias para aprofundar os conhecimentos em Delphi e Java. Porém o estágio foi no setor de telecomunicações. Sendo mais específico, em uma empresa que fornecia soluções de telefonia empresarial (PABX). Não era minha formação, mas posso afirmar que não demorei muito a entender a parte técnica da profissão. Logo estava programando diversas centrais telefônicas. Tanto que fui contratado após o estágio. Mas só com o tempo foi possível "traduzir" as necessidades do cliente, e até sugerir outros recursos de telefonia melhores para o negócio dele do que o que ele gostaria de aplicar. E esta é a experiência que não consigo expressar em um currículo. Uma capacidade importante também para a área de desenvolvimento de software. Por isso resolvi chamar de "experiência paralela".


Espero que aqueles que buscam sua transição de carreira possam alcançá-la. E aqueles que buscam talentos no mercado, possam ter a sensibilidade de olhar para esta experiência paralela.



Alguns bons artigos e um vídeo para complementar o que foi escrito:

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