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Estou velho para isso!

Francisco Júnior
Francisco Júnior

Há alguns meses, antes da pandemia, estava tranquilamente treinando jiu-jitsu com meus colegas e irmãos de tatame, quando um dos meus colegas me perguntou o seguinte: Iratuã, eu tenho XX anos e queria saber tua opinião se ainda tenho tempo de entrar no mercado de T.I como desenvolvedor.

Irei construir essa resposta óbvia junto com você ok?

Antes de dar minha real e sincera opinião sobre a dúvida do meu querido colega de treino, queria refletir com você em algumas iniciativas bacanas nas quais tenho me envolvido de alguma forma. A primeira delas é a iniciativa da Digital Innovation One, onde algumas gigantes do mercado de T.I juntaram esforços para construir uma plataforma EAD/rede social para oferecer cursos, bootcamps , muitas, mas muiiiiitas palestras bacanas com pessoas que são referência no mercado. Ao assistir uma das aulas de apresentação de um dos bootcamps que estou participando, pude ver muitas pessoas que compartilhavam da mesma dúvida que meu colega: tenho XX anos e queria saber se vocês da empresa YY me contratariam mesmo assim.

A resposta foi um sonoro e unânime 'SIM'.

Mas vamos avançar na construção da resposta. Muitas empresas estão modificando a forma como pensam a respeito de suas contratações. Ainda existem inúmeros paradigmas que devem ser quebrados, que em outro momento irei expor o que penso. O mercado de desenvolvimento de software e soluções tecnológicas está aquecido ao ponto de gigantes unirem esforços para construírem diversas trilhas de conhecimento para capacitar uma mão de obra necessária para fazer toda a coisa funcionar. Há uma necessidade de capacitar profissionais para desempenhar diversos papeis em diversos cenários.

Tendo exposto esse pequeno trecho acima, eu trago uma outra reflexão necessária para a construção da resposta.

Desde pequeno eu sofro de uma insegurança muito grande com sintomas bem próximos à síndrome do impostor. Esse sentimento me privou de muitas coisas e me fez não acreditar, ou simplesmente me sabotar, em diversas atividades da minha vida. Achei pessoas legais que me ajudaram a enfrentar e me auto afirmar. A primeira delas foi minha mãe, claro. Ela sempre percebeu que eu era levemente diferente, afinal de contas, que menino de sete anos resolve tentar consertar (tentar, não disse que consegui) um aparelho de televisão utilizando goma de mascar para regular o controle de imagem vertical da tv? Ou que quebra bolas de gude para construir lentes para estudar formigas e folhas de árvores? Ela me ajudou e me ajuda até hoje, da forma dela, a me valorizar e tentar. Outra pessoa espetacular foi meu técnico de natação. Dos 12 aos 22 anos eu fui um nadador medíocre e um triatleta muito ruim :D. Lembro-me que, aos meus 14 anos eu era magro ao ponto de ser chamado de 'papel'. Participei de uma competição na modalidade aberta, ou seja, eu poderia competir com qualquer atleta acima dos 13 anos. Nessa prova, eu competi com atletas do meu clube que eram referência para mim. Eu cheguei em terceiro lugar nos 50m nado de peito, com um tempo muito ruim. Olhei para o primeiro colocado, que eu admirava demais e disse: 'um dia eu chego junto contigo'. Ele olhou para mim, na frente de todos e disse: eu visto uma saia nesse dia. Meu técnico olhou para mim e com um olhar me disse: você faz disso o que você quiser.

Trabalhei muito meu psicológico e meu preparo físico. Eram horas dedicadas à exercícios que iria favorecer minha mecânica de nado. Um ano depois eu levava uma saia xadrez para ele e 3 medalhas de primeiro colocado.

Isso me fez achar uma forma de lutar contra meus limites e meus sentimentos de auto sabotagem.

Alguns anos depois, achei a mesma figura em minha técnica da equipe da seleção de natação do IFCE, nos anos de 1.999 a 2.002. Ela trabalhou comigo ao ponto de eu conseguir consolidar boas marcas nos quatro estilos.

Mas o sentimento de não capacidade, de não conseguir, ou não estar pronto, sempre esteve comigo.

Mais uma vez, um técnico veio e me deu à mão, dessa vez em 2.012, quando inicie minha caminhada no Jiu-jitsu, para tratar uma depressão e mais uma vez, com ajuda de outros, consegui.

Então, com alguns pontos expostos, vou relatar aqui o que disse para esse colega.

Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem

Amigo, não existe idade correta para iniciar algo. Desisti de tantas coisas por não me achar capaz. Então te digo: entra de cabeça. O mercado está aí. Não se prenda às convenções. Existe um salário bacana, muitos desafios, mas existe um preço também.

E já para te motivar nesse seu início:

feliz: falso
motivado: falso


enquanto(estiver_vivo):
    continue_a_nadar()


continue_a_nadar():
  feliz: verdadeiro
  motivado: verdadeiro


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Comentários (4)

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S

Suelen Gimenes

27/03/2021 20:54

Concordo! Ganhar e perder faz parte da jornada! Acredito que a magia está nos momentos e pessoas com as quais compartilhamos. Se permitir experimentar algo novo é incrível.

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F

Fernando Gomes

27/03/2021 19:02

Cara que massa saber que existia crianças como eu, a diferença é que eu queria criar lentes com areia do quintal pra construir um telescópio.

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Rosemeire Deconti

Rosemeire Deconti

27/03/2021 18:59

Concordo em gênero, número e grau!

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D

Dario Monteiro

27/03/2021 18:41

Obrigado Francisco pelo compartilhamento de suas experiências e parabéns pela pessoa que se tornou. Abraço fraterno.

Um apaixonado por gerar valores

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