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É preciso ser bom em matemática para ser um desenvolvedor?

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Stheffany Cruvinel
Stheffany Cruvinel

Tenho certeza que o título desse artigo já foi escrito por muitos desenvolvedores iniciantes em plataformas de pesquisa, como o Google e o Youtube... Mas calma! Esse artigo não pretende se estender a uma afirmação ou negação do tipo "sim, é preciso ser bom em matemática" ou "não, não é preciso ser bom em matemática" mas sim trazer impressões gerais de uma iniciante nas áreas de tecnologia. Então, já afirmo desde o início que ao terminar este artigo, você não terá uma resposta definitiva, mas sim inspiração e coragem para mergulhar de cabeça no seu sonho de ser um desenvolvedor.


Em primeiro lugar, é preciso refletir sobre o fato de que o Brasil está longe de liderar o ranking mundial de competência em matemática, estando atualmente entre as 10 piores posições do ranking mundial de Ciências e Matemática, ocupando o triste 71º lugar, entre os 79 países participantes.[1] Mas se esse ranking mundial definisse e limitasse nosso país, não existiriam excelentes programadores brasileiros, certo?


Faculdades e Universidades, espaços tradicionais de formação de desenvolvedores, no momento de selecionar seus alunos, principalmente via Sisu, Prouni e demais vestibulares, levam em consideração, principalmente, os conhecimentos na área de matemática. Sim, a tão temida matemática é um importante fator para o ingresso nos maiores centros tradicionais de ensino e pesquisa do país. Esse fator pode contribuir para com essa ideia de que é preciso ser bom em matemática para ser um bom desenvolvedor.


Assim, podemos pensar: até que ponto o conhecimento em matemática define um bom programador? E a resposta para essa pergunta é um pouco mais complexa que um definitivo "sim" ou "não". Como frequentadora nata dos bancos da recuperação em matemática e fã de carteirinha da calculadora do celular, afirmo que o que tem me dado forças para persistir nessa trajetória é, definitivamente, não a minha competência em matemática, mas sim a insistência e persistência frente às dificuldades, erros e bugs.


Uma grande contradição capaz de dar fôlego a iniciantes que temem o fracasso devido ao baixo rendimento com os números, é a afirmação de diversos programadores experientes, de que na programação é muito mais importante dominar o raciocínio lógico do que a matemática em si.


Outra ótima notícia é: a triste posição brasileira nesse ranking de matemática, felizmente é discrepante com a grande capacidade de desenvolvedores brasileiros que estão envolvidos no mercado de trabalho nas áreas de tecnologia, inclusive atuando em nível de igualdade com desenvolvedores de diversos países em grandes empresas e multinacionais espalhadas pelo mundo.


Certo dia li um poema chamado "Poema do fracasso", que tomo a liberdade de trazer a este artigo:


"Para além do funcionamento pleno,

o fracasso é também um modo de ir."[2]


Se o fracasso é também um modo de ir, que tenhamos persistência a ele. Que o medo da matemática, ou o medo de fracassar nos permita ir em frente, persistir. Como eu afirmei no início desse texto, não trago uma resposta, mas sim a reflexão de que, para aprender uma nova habilidade, mais do que matemática, além até de raciocínio lógico, é preciso ser bom em persistir.

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[1] https://educacao.uol.com.br/noticias/2019/12/03/brasil-cai-em-ranking-mundial-de-ciencias-e-matematica-e-empaca-em-leitura.htm#:~:text=Desempenho%20no%20Brasil%20fica%20abaixo%20da%20m%C3%A9dia%20da%20OCDE&text=O%20pior%20desempenho%20do%20pa%C3%ADs,uma%20diferen%C3%A7a%20de%20105%20pontos.

[2]Julia Panadés (@panadesjulia) On Instagram.

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Comentários (1)

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Eduardo Quaglia

Eduardo Quaglia

24/03/2021 11:07

Stheffany. Bom dia. 

Esse artigo mexe comigo, então vou contar um pouco de minha estória.

No colégio, sempre fui bom em matemática (um dos melhores). Daqueles que corria para acabar toda a lição para me deleitar com os exercícios de Matemática, especialmente os mais desafiadores. Por outro lado, era péssimo em História. Claramente eu estava mais indicado para a área de exatas do que humanas. Na faculdade optei pelo curso de Matemática Bacharelado numa das melhores instituições. Porém, eu e os professores, percebemos rapidamente que tinha pencas de alunos tão "bons" em matemática quanto eu. Foi um desastre, para a maioria daquela turma, pois o nível do curso era muito alto. Acabei mudando para Matemática Aplicada. Era tão difícil quanto, mas lutei muito e consegui o almejado diploma. Outros, com a mesma capacidade ou até maior, não foram até o final.

Essa estória, de uma forma ou de outra, deve ser parecida com a de muitos aqui: a gente acha que é bom em algo, mas percebe que nem tanto, sobra apenas o esforço de lutar por um objetivo, e PERSISTIR.

Quanto a questão do "raciocínio lógico", sou sim da opinião que, para desenvolvimento, "é mais importante dominar o raciocínio lógico do que a matemática em si". Entendo que o treinamento técnico da matemática pode nos ajudar a melhorar nosso raciocínio lógico, mas são coisas diferentes. Me faz lembrar uma recuperação de História no colégio. A mãe de um colega resolveu nos ajudar. A explicação dela fez todo o sentido para mim. Ela nos ajudou a raciocinar logicamente frente aos fatos históricos. Resultado: sucesso, mas onde está a matemática nisso? Era impossível para mim ter sucesso em História decorando datas, assim como era impossível para alguns colegas ter sucesso em Matemática decorando regras. É impossível ser um bom desenvolvedor decorando linguagem, tem de ter raciocínio lógico.

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