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Como a "Síndrome do Impostor" paralisou meu crescimento como Dev

Daniel Araujo
Daniel Araujo

Sabe aquela voz interna dizendo que você não é capaz? Sabe aquela sensação de estar fingindo para as pessoas? Aquele medo de ser descoberto por se considerar uma fraude? Aquela inquietude de achar que sua posição, cargo ou responsabilidade foi questão de sorte? Pois bem, vou contar um breve relato pessoal de como esses fatores acima refletiram em meu primeiro emprego na área de TI e de como fui afetado pela chamada "síndrome do impostor".


Segundo a neuropsicóloga do Grupo MED MAIS, Keli Rodrigues "a síndrome do impostor é caracterizada por pessoas que têm tendência à autossabotagem. Então, o indivíduo constrói, dentro da cabeça dele, uma percepção de si mesmo de incompetência ou insuficiência. Naturalmente, todo o cérebro humano possui essa pré-disposição a colocar essa sensação de incapacidade e demérito. E, dependendo do modelo mental e da forma como cada um pensa, isso pode aumentar ou diminuir essa crença, o que também pode ser reforçado pelo meio em que a pessoa se encontra." De acordo ainda com Keli, "se esse comportamento de autossabotagem não for controlado, o profissional vai ser impedido de crescer na carreira."

https://www.google.com/amp/s/www.napratica.org.br/o-que-e-sindrome-do-impostor/amp/


Muito trabalho, novas tecnologias e a pressão de sempre estar atualizado são alguns fatores que levam nós profissionais de TI a sofrerem com esse mal-estar. "No mundo da programação, desenvolvedores de qualquer experiência podem ser vítimas dessa síndrome" diz Cah Felix, web designer freelancer formada em Comunicação Visual e em Analise de Sistemas pela FIAP e pós graduada em Engenharia Web pelo SENAC...


https://cahfelix.com/o-que-e-sindrome-do-impostor-na-tecnologia/


Essa necessidade de estar sempre atualizado, a falta de tempo para estudo, a impotência de saber tudo diante de tantas linguagens, frameworks e a comparação com profissionais mais experientes ou com "skills" mais desenvolvidas me fizeram quase desistir da carreira...


Pra vcs entenderem, vou narrar um pouco sobre o que houve. Em julho de 2017, conclui o curso de Gestão em Tecnologia da Informação pela Fatec de Bragança Paulista...Ali diante da correria em conciliar emprego noturno, faculdade diurna e prover sustento e atenção à família, obtive o primeiro contato com o mundo tecnológico. Foi lá onde dei os primeiros passos em programação. Foi lá tambem que comecei a ouvir as vozes internas dizendo que não era capaz. Me perguntava "o que um operador de serra (trabalhava em metalúrgica na época), um ex-açougueiro de 30 anos que havia feito um curso básico de informática estava fazendo ali."


Essas dúvidas e a necessidade de prover o sustento a minha esposa e minhas duas filhas me fizeram relutar em buscar emprego na área após a conclusão do curso. Nessa época havia saído da metalúrgica onde trabalhava por não haver mais horário noturno e passei a trabalhar como frentista para poder conciliar emprego e o restante do curso.


Até que em maio de 2018, uma ex-colega de classe me indicou para uma entrevista em uma empresa de TI... Ali o recrutador deixou claro que o salário inicial era de aprendiz e que poderia aumentar de acordo com meu aprendizado e progressão. Fui contratado como traineé e entrei para o time de desenvolvimento em Java.


A responsabilidade de manter minha família, me fez optar(com a ciência do recrutador) por continuar trabalhando no posto de gasolina durante a noite e em horário comercial nessa outra empresa. Minha rotina era frenética e não havia tempo para estudar e me dedicar 100% a essa nova oportunidade.


Permaneci com o time de desenvolvimento por uns dois meses e devido a algumas mudanças na empresa, e devido ao quadro enxuto, fui colocado às pressas para também cobrir a demanda de suporte aos clientes, que usavam os ERP'S comercializados pela empresa. Assim, atendia aos clientes e no tempo ocioso, realizava algumas tarefas para o time de desenvolvimento...

O problema é que a correria, o cansaço e a dificuldade de estudar trazia algumas dificuldades para a resolução das tarefas e isso me fez acreditar que não era bom no que estava fazendo e isso me impediu de ter uma posição firme e optar de uma vez por todas pela carreira em TI. E assim passei durante os dois anos em que permaneci por lá.


Nesse tempo, fui contratado em definitivo, fui reconhecido com um aumento salarial e aconselhado a "abandonar o posto de gasolina e decidir pela carreira de desenvolvedor," pois segundo meu gerente, "tinha um grande futuro"...tive um dos melhores feedbacks da minha vida e mesmo com tantas palavras positivas, aquela voz interior insistia em dizer que não era bom o suficiente. Que o que fazia era muito abaixo do esperado, que se abandonasse o emprego de frentista não conseguiria avançar e que poderia passar por dificuldades financeiras...


Em janeiro de 2020 voltei a fazer parte exclusivamente da equipe de Java, mas logo veio a pandemia e a necessidade de trabalhar "home office" . Veio também uma crise na empresa, onde muitos clientes assustados com os desdobramentos das restrições de funcionamento, cancelaram seus contratos. Ali com muito pesar por parte do meu superior fui informado que esses cancelamentos impactaram as finanças da empresa e que eles manteriam apenas o desenvolvedor sênior...

Naquele momento, a tristeza e o desânimo tomaram conta do meu ser e na minha mente, aquelas situações de desconfiança e autossabotagem voltaram como um monstro ainda maior e novamente me fizeram questionar se deveria ou não continuar nessa empreitada e pensei seriamente em desistir.


E assim foi durante quase todo o segundo semestre de 2020, até que lembrei de um curso de Lógica de Programação que havia feito na Digital Innovation One e resolvi acessar a plataforma novamente...Ao me deparar com os Bootcamps, as lives do Iglá e o pessoal da Dio e das empresas como a Everis, a Avanade, a GFT explicando sobre as oportunidades para devs iniciantes, recebi uma enorme injeção de ânimo, algo renovador cresceu e a vontade de me tornar um excelente profissional tem sido a tônica dos meus dias atuais... A cada aula assistida, a cada projeto feito, a cada curso concluído, a cada certificado recebido tenho a sensação de estar abandonando aqueles medos, de estar lutando com o "impostor" que roubava minha identidade e tomando cada vez mais coragem de prosseguir e ser um excelente profissional. Sei que há um longo caminho a percorrer, mas sei que se me dedicar tenho muitas chances de chegar ao meu objetivo e ser contratado por algumas dessas grandes empresas parceiras e poder realizar meus sonhos e projetos pessoais junto das pessoas que amo...


Obrigado Digital Innovation One por mostrar que sempre há um caminho e por trazer oportunidades à comunidade!

Meu nome é Daniel, ainda trabalho como frentista, mas assim Deus permitindo, logo serei um desenvolvedor...

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Comentários (6)

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Carlos Faria

Carlos Faria

27/01/2021 02:52

Parabéns pela coragem de compartilhar sua história...li cada vírgula do que postou e, há tempos um texto não prende tanto minha atenção...Talvez porque eu me identifique com sua história e esteja passando por algo similar! Tenho certeza que seu suor derramado valerá a pena e a sua conquista chegará, apenas não desanime e tente perceber o que te falta para alcançar seus objetivos e busque-os incansavelmente. Tudo de bom sempre, forte abraço.

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Daniel Araujo

Daniel Araujo

27/01/2021 09:33

Carlos Faria, muito obrigado pelas palavras e pelo incentivo! Que você tbm siga firme rumo ao seus objetivos. Abraço, tudo de bom pra vc, também!

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Daniel Araujo

Daniel Araujo

26/01/2021 22:10

Liliane Balles, obrigado por comentar. Creio que a forma de superar essa dúvida que carregamos é como vc disse "estudar bastante e praticar". Tenho certeza que com esse pensamento você chegará ao seu objetivo. Força na sua jornada, que a vontade de vencer seja maior que o seu medo e que você possa superar qualquer dificuldade que possa aparecer. Parabéns pela garra!

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Liliane Balles

Liliane Balles

26/01/2021 21:55

Emocionante...


Sou iniciante na área e me identifiquei muito com seu relato, fico me perguntando a todo momento se é pra mim. Tenho consciência que preciso lutar contra isso e me sinto muito empolgada quando faço os cursos aqui na DIO. Enfim... o jeito é estudar bastante e praticar, pra me sentir mais confiante e conseguir deixar o medo de lado.

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Daniel Araujo

Daniel Araujo

26/01/2021 21:50

Pablo Leal, muito obrigado por ler e comentar...Vou tentar responder as suas perguntas.

Como foi para conseguir o primeiro emprego na área?

R) Minha colega de faculdade me indicou para o pessoal e pela indicação fui chamado para uma entrevista.


O que você sabia, o que você não sabia?

R} Na faculdade tive um contato inicial com a linguagem Java e com algumas IDE's como NetBeans e Eclipse para desenvolvimento. Meu conhecimento era superficial, pois o curso em si tem a ementa voltada mais à gestão em TI, mas continha também linguagens de programação. Mas essa parte de codar foi algo que aprendi a gostar desde o primeiro contato.


Quando contratado como Junior, eles te ensinaram Java lá dentro? Por que você optou por Java?

R) Fui muito bem recebido, o pessoal tinha ciência da minha inexperiência. Quando cheguei, achei que fosse ficar separado do pessoal mais experiente e que iriam me ensinar sobre classes, orientação a objetos etc. rsrs. Mas não foi bem assim. como eles diziam, tem que pôr a mão na massa! A empresa possui uma mensageria que faz a integração de erp´s de empresas e as sefaz dos estados e a linguagem utilizada na aplicação era Java. Logo que entrei, fui orientado a entender sobre os processos. Fui ler o manual da Nf-e e e só depois me ajudaram a preparar o ambiente de desenvolvimento. Fui começar a entender a aplicação pelo banco de dados... Comecei a ver o código, quais as tabelas que eram alimentadas, qual o fluxo da informação. Somente depois desse primeiro contato é que comecei a fazer algumas tarefas simples que me passavam. Mas sempre que surgiam dúvidas ou dificuldades o pessoal me ajudava muito. Apesar do pouco tempo com eles, pude absorver muita coisa.

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Pablo Leal

Pablo Leal

26/01/2021 20:28

Sensacional, há tempos eu não lia um texto grande assim inteiro e vidrado como fiz com Este.

Como foi para conseguir o primeiro emprego na área? Pode dar mais detalhes? O que você sabia, o que você não sabia? Quando contratado como Junior, eles te ensinaram Java lá dentro? Por que você optou por Java?

Olá, sou starter e sei que se sonhar, estudar, praticar, aplicar, desenvolver e partilhar vou chegar lá... Coffe and Code to do this!...

Brasil