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A Revolução é agora!

Lucas Galvão
Lucas Galvão

Para começarmos a nossa conversa, talvez seja importante alguns conceitos que estão por todos os lados, por exemplo, você é geração X, Y ou Z? Isso importa, especialmente, em nosso tópico, pois a geração X

nasceu e entrou na vida adulta sob a ótica da tecnologia analógica, já a geração Y (a qual me insiro) nasceu analógica e cresceu no meio da tempestade tecnológica, sendo obrigados a acompanhar de perto ou rapidamente ficamos para trás, enquanto que a geração Z e os Millenials, já nasceram completamente inseridos no mundo da internet. Assim, qual a visão que cada um tem do mundo? (1)

Ademais, outra pergunta já inicial válida a ser feita é, como isso funciona com o título deste texto? A mera diferença de gerações e suas visões faz com que cada um tenha uma compreensão diferente do que nos cerca? 



Já estávamos todos conectados (2)


Uma sala de aula em que todos os alunos encontram-se conectados por mais de um dispositivo, como Smartphone e Smartwatch. Substituiu-se os cadernos por Notebooks ou Tablets, os livros físicos por digitais, a biblioteca por serviços de busca como o Google, enciclopédias por Wikipédia; nesta última década os celulares ganharam a tela touch e com isso avançaram para um formato de smartphones. Nesta mesma sala de aula há mais câmeras fotográficas que alunos, considerando que há câmeras embutidas em cada celular, tablet e notebook.

Os autores Brynjolfsson e McAfee alegam que “os computadores e outros avanços digitais estão fazendo para nosso poder mental (...) o que o motor à vapor fez para nosso poder físico”(3) a 250 anos atrás. Quer dizer, considera-se como a Primeira Era das Máquinas a implementação da máquina à vapor, ocorrendo a Revolução Industrial, em que naquele momento as relações e toda a estruturação da sociedade rapidamente se modificou, ocorrendo uma explosão demográfica no planeta, pois superou-se as limitações naturais existentes em nosso poder físico e dos animais, gerando uma massiva quantidade nova de energia e poder, ao substituir pelas máquinas. E o ato de consequência desse excesso de poder resultante da nova tecnologia foi a da grande produção de alimentos e novos itens, aumento do comércio, novas relações interpessoais, de negócios e trabalhistas, entre vários outros. 

O que se verifica no momento atual, a fim de se determinar como sendo a Segunda Era das Máquinas, é quanto a maturidade de toda a tecnologia acumulada até este ponto, em que estamos nos permitindo substituir exercícios mentais nas mãos das máquinas, ultrapassando, uma vez mais, as nossas limitações, e neste ponto as mentais, de tal maneira a nos levar ao próximo nível de sociedade.

Isso tem um impacto enorme sob o ponto de vista econômico, social, de emprego e riqueza. Sendo a maior transformação econômica desde a revolução industrial (4). Essa transformação faz ainda mais sentido quando inserimos a internet das coisas nessa matemática de tempos atuais, em conexão com as diferenças de visões das gerações, como iniciamos o nosso diálogo; a evolução do processamento de dados, da inteligência artificial, e como isso vem influenciando em nossa vida cotidiana. 



A Pandemia acelerou tudo 


E claro, não bastasse essa revolução que já estávamos inseridos, surgiu a Covid-19 e nos obrigou a, mais uma vez, nos re-adequarmos e readaptarmos. Sem perceber, tudo isso como questão de sobrevivência.

A resposta da nossa sociedade foi a de subir a barra uma vez mais, e trazer pra dentro da Sociedade 4.0 todos aqueles que ainda iriam levar alguns anos mais para se adaptar de uma forma muito mais veloz.

Em recente nota da empresa McKinsey & Company (5) referente a Covid-19 em uma perspectiva de análise de riscos, afirma-se da necessidade de adoção de novos modelos de negócios híbridos, onde serão diferenciais as performances em novas habilidades, como social, emocional e habilidades cognitivas avançadas. 

Em outras palavras, mais do que nunca precisamos estar atentos aos movimentos do mercado e conectados, mas não apenas seguindo o seu desenvolvimento tecnológico, mas também retornando ao que nos diferencia de outros animais, em nossas soft skills e como a gente interage um com o outro.

O grande ponto desafio para atendermos a essa demanda é que ainda nos encontramos em meio a uma guerra, com muito sofrimento pessoal e perdas, e a compreensão, a paciência e a empatia também se tornam particularmente necessários. 




(1) GUABIROBA, Juliane da Silva; e outros; Ambiente de Trabalho x Gerações Tecnológicas: Desafios Empresariais Contemporâneos no Brasil

. Revista Valore, Volta Redonda, 5, e-5043, 2020. 

(2) Nota do autor: A frase no passado é tendo como marco comparativo a pandemia da COVID-19. Já estávamos conectados ainda antes, e a pandemia acelerou ainda mais esta revolução que estamos passando. 

(3) “Computers and other digital advances are doing for mental power—the ability to use our brains to understand and shape our environments—what the steam engine and its descendants did for muscle power.” In: BRYNJOLFSSON, Erik; MCAFEE, Andrew; The Second Machine Age: Work, Progress, and Prosperity in a Time of Brilliant Technologies. New York: W. W. Norton & Company, 2015, p. 13. (Tradução livre do autor) 

(4) “A invenção de máquinas para fazer o trabalho do homem era uma história antiga, muito antiga. Mas com a associação da máquina a força do vapor ocorreu uma modificação importante no método de produção. O aparecimento da máquina movida a vapor foi o nascimento do sistema fabril em grande escala. Era possível ter fábricas sem máquinas, mas não era possível ter máquinas à vapor sem fábricas”. In: HUBERMAN, Leo. História da riqueza do homem. Editora Zahak: New York, 1936. p. 185.

(5) McKinsey Global Publishing; COVID-19: Briefing note #66, August 4, 2021. Site: <https:// www.mckinsey.com/business-functions/risk-and-resilience/our-insights/covid-19-implications-for- business> 

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Comentários (3)

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Lucas Galvão

Lucas Galvão

12/10/2021 09:43

Mauricio e Joilson, obrigado pelos comentários.

Realmente é isso mesmo, são momentos de muita velocidade, de muita conexão e desconexão, e paciência é um bom atributo a se ter numa hora dessas.

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Joilson Silva

Joilson Silva

12/10/2021 03:31

Vou precisar demais tempo para refletir, as mudanças são cada vez mais rápidas, e a sabedoria, a paciência e o ato de parar, nos ajudará na orientação destes panoramas dinâmicos que sempre passamos. Compreender as gerações, as inovações e outras possibilidades pode fazer sentido nesta revolução em curso. Seremos levados pelo vendaval ou há uma chance, um pequeno esconderijo que nos proporcione abrigo, nos mantenha em nossas identidades e que também nos traga reinvenções.

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Mauricio Gebrim

Mauricio Gebrim

11/10/2021 23:40

Apesar de sempre haver choques de gerações, estamos nas relações líquidas dissertadas por Zygmunt Bauman: tudo volátil, incerto, sob mudanças, de startups de vida curta, ansiedade, consumismo. Bom ou não, melhor ir vivendo cada dia de cada vez, antes de ser consumido...



Bacharel em Direito pela PUCRS e Mestre em Direito Europeu e Alemão pela UFRGS e PUCRS. CEO da Aceleradora ECO.

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