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A responsabilidade ética do profissional da Tecnologia da Informação

#Liderança de Equipe #Boas práticas
Raquel Michelon
Raquel Michelon

Quando uma pessoa profissional da Tecnologia da Informação (TI) é contratada por uma empresa ou um cliente para resolver determinado problema, espera-se que, além de habilidades técnicas e comportamentais, essa pessoa tenha também consciência de sua responsabilidade ética. Muitas vezes, o comportamento ético é requerido ainda na identificação do problema a ser solucionado para que a pessoa profissional da área não se comprometa em criar tecnologias que colocarão em risco a integridade da informação dos usuários de determinado sistema.

É nesse contexto que os conceitos de deliberação — cujo processo compreende razões técnicas, prudenciais e morais — e de decisão racional — a qual demanda uma deliberação atenta — tornam-se indispensáveis para uma vivência profissional mais acertada. Nesse sentido, é de responsabilidade do profissional de TI conhecer as razões técnicas que garantirão maior eficiência para executar o trabalho para o qual foi contratado. Em complemento, esse profissional também deve compreender as razões prudenciais que permeiam seus atos, entendendo quais poderiam ser os resultados a posteriori sem, contudo, deixar de considerar também as razões morais, escolhendo por agir corretamente do ponto de vista moral. Ainda assim, vale ressaltar que nem toda a deliberação, por mais cuidadosa que seja, garante um modo de agir correto. 

Na obra “A arte de enganar”, os autores Kevin Mitnick e William L. Simon apresentam as técnicas do que eles próprios intitulam de “engenharia social” associada ao hacking. Os engenheiros sociais, segundo os autores, aprendem a explorar o fator humano, por entenderem que as pessoas são o elemento mais vulnerável quando o assunto é a segurança da informação. Desse modo, a obra deixa um alerta para a necessidade de formação ética dos profissionais de TI. Afinal de contas, esses profissionais também precisam estar preparados para identificar fraudes e golpes que exponham informações pessoais e privadas de clientes e empresas. Ou seja, além de saber agir ética e profissionalmente, a pessoa profissional de TI deve estar preparada para lidar com situações que não sejam moralmente corretas.

A responsabilidade ética do profissional de TI é ainda mais necessária nesta era de “códigos invisíveis” ou indecifráveis, conforme proposto por Sérgio Amadeu da Silveira, na obra “Democracia e os códigos invisíveis: como os algoritmos estão modulando comportamento e escolhas políticas”. Para o autor, por meio de algoritmos de aprendizagem de máquina, os usuários têm seus perfis comportamentais traçados e o reflexo disso é o de uma sociedade que reforça as desigualdades sociais. Ou seja, vê-se muito poder concentrado nas mãos de ricos (e por vezes sádicos) executivos e pouca ética envolvendo seus projetos de manipulação social. O que os move são os dados, as informações cujo uso, em muitos casos, sequer foi permitido pelo usuário. Um profissional de TI com uma sólida formação ética é capaz de analisar um projeto com esse propósito e se recusar a desenvolvê-lo.

Por fim, um profissional de TI que entenda suas responsabilidades éticas vai muito além do compromisso em utilizar ferramentas originais, cuidar da manipulação de dados e administrar de modo responsável as informações a que tem acesso. É preciso ir além, agir com responsabilidade social, entendendo as consequências de suas criações para a sociedade como um todo, jamais privando cidadãos de seus direitos por meio de manobras tecnológicas que sejam de seu conhecimento.


Raquel Darelli Michelon

Texto produzido para avaliação parcial na Unidade Curricular de Informática, Ética e Sociedade do Curso Técnico em Desenvolvimento de Sistemas do IFSC em junho de 2021.

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Comentários (1)

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Leandro Carvalho

Leandro Carvalho

20/06/2021 20:07

Obrigado pelo artigo e pelas indicações de leitura.

Como estudante de Desenvolvimento de Sistemas, busco uma oportunidade de estágio na programação. Atualmente tenho estudado JavaScript, C++ e Python.

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