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A era dos ciborgues, novos deuses e as interfaces integradas

#AWS #Java #Python
Vinícius Ferreira
Vinícius Ferreira
Os homens criam as ferramentas. As ferramentas recriam os homens
_ Marshal McLuhan


Hoje, se você saísse de casa e no meio do caminho descobrisse que esqueceu a carteira, você ficaria muito chateado. Provavelmente iria estragar seu dia.

Já se, por algum motivo, você esquecesse o celular, você voltaria e buscaria o celular.


E não é suposição. Eu vi acontecer com esses próprios olhos. Recentemente um membro da minha família adicionou alguns kilômetros ao total da viagem por descobrir no meio dela que havia esquecido o aparelho em cima da cabeceira da cama. Digamos que foi uma manhã tensa.


Em algum ponto, no início desse século, os celulares se tornaram essenciais para a vida em sociedade, como parte inerente do próprio corpo. Uma extensão, por assim dizer, como algo que sempre esteve ali, como uma muleta ou uma espécie de prótese mecânica que substitui o seu braço, a sua perna ou que faz o seu coração bater no ritmo certo e agora, não dá mais pra viver sem.


API's para os íntimos


interface: uma conexão entre duas peças de equipamento eletrônico ou entre uma pessoa e um computador
_ Cambridge Dictionary


Na década de 90, até meados dos anos dois mil, era natural dizer "hoje eu só acessei a internet 5 vezes".


Acontece que a internet ainda dava seus primeiros passos como um serviço de massa, poucos realmente tinham acesso a um computador, visto como artigo de luxo, havia claramente uma distinção entre o que era "vida real" e o que era "virtual".


Já nos dias de hoje, é impossível dizer quantos microprocessadores existem dentro da sua própria casa. Celulares, as vezes mais de um por pessoa, televisões, relógios, alexas e siris da vida, geladeiras. Do crachá da sua empresa ao seu bilhete único do metrô, o fato é que os computadores e a tecnologia estariam se "dissolvendo" e se integrando à vida humana de tal modo que se torna tarefa árdua diferenciar onde um começa e a outro termina.


Como o sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman bem observou em seus trabalhos sobre a sociedade líquida, a sociedade estaria caminhando para um modelo, econômico e de consumo cada vez mais ligado à bens imateriais, não palpáveis e intangíveis.


E o bitcoin não nos deixa mentir.


O resultado disso, acredito eu, seria um caminho sem volta. Uma fusão entre homem e máquina e a nebulosidade a respeito do que significa ser um ser humano no âmago. Mas não para por aí.


Chegaremos a um ponto em que a tecnologia de hyper conectividade, as cidades inteligentes, a Internet das Coisas, a computação em nuvem irão transformar tudo em dados onde tudo será, representado, mensurado e interpretado pela grande máquina "sociedade". Ou seria mais apropriado chamar de sistema?


A cidade, o ser humano e a tecnologia seriam juntos, um só organismo que, em tese, poderia ser mensurado e replicável. Algo como o livro e filme Matrix e o imaginário da cultura pop vislumbraram há décadas atrás e que parecia uma realidade muito distante. Pelo menos até pouquíssimo tempo


Nesse momento, seremos todos parte da máquina e, ao mesmo tempo, moramos dentro dela. E não pense você que exista alguma possibilidade de sair dela, ou mesmo, de desligar.


E isso muda tudo. O mundo se transformou em uma imensa API e é de extrema importância que entendamos o que isso significa na prática.


Interfaces integradas


Como escrevi no texto anterior "5 dicas de como estudar melhor, evitando Burnouts e o Princípio de Pareto", não há na história uma mudança tão significativa na forma como pensamos, agimos e planejamos o futuro.


Hoje os dados são os produtos mais valiosos do mercado e nunca foram tão explorados em tamanho volume. O celular no seu bolso é capaz de traduzir seu ambiente e gerar tantos metadados, que seria completamente possível inferir coisas a seu respeito como onde mora, qual seu nível social, suas rotinas e até o estado atual da sua saúde sem nem saber o seu nome.


Recentemento fui limpar o cache do meu navegador e descobri que a Google teria coletado 273MB a meu respeito. Isso é mais do que a memória total de computadores caseiros na década de 90.


A verdade é que os dados estão em todo lugar. Podem ser conseguidos de infinitas maneiras. Inclusive é possível criar dados do nada e através da coisa alguma.

Os dados são onipresentes, onipotentes e oniscientes e nós, como uma aldeia global, fazemos parte deles. Nós, de certa forma, somos os dados.


Em contrapartida, nunca foi tão grande o abismo que divide os avanços tecnológicos e informação disponível da completa ignorância e misticismo em torno do sistema, do algoritmo e das novas regras e tecnologias que compõe a indústria 4.0.


Navegadores como o Google Chrome e o Firefox são ferramentas de uso diário de qualquer pessoa com acesso à internet e, no entanto, pouquíssimas pessoas sabem a respeito do seu funcionamento e de sua lógica de negócios.


Os novos deuses (canonizando zeros e uns)


Poucas pessoas entendem o real sentido em se postar um meme no facebook pra ganhar "notoriedade" e "likes" e "coraçõeszinhos" e pouquíssimas pararam pra pensar no tipo de relacionamento que se instituiu entre ele, o sujeito, e o sistema que se extende por todo o mundo e tem consequências reais nesse mesmo mundo.


Através dos dados, governos são depostos, propagandas são feitas sob medida e no tempo certo, suas crenças são a cada dia mais reforçadas por um ambiente concorda com você e que não faz nenhuma questão de te colocar numa posição de desconforto. O comodismo e a apatia são fatores de extrema relevância para se criar um entretenimento efetivo.


Entreter significa "manter dentro".

(Manter dentro de quê? Com interesse de quem?)


Pelos dados, hoje se fabrica a realidade e a ignorância é a comoditie mais valiosa nesse negócio bilionário depois dos próprios dados.


Com processos que parecem acontecer por puro passe de mágica, com a mitologia e misticismo em torno da tecnologia, não é difícil observar como essa assume no cognitivo e no imaginário do usuário comum, uma posição de entidade puramente lógica, que sabe tudo, que não erra e que, de certa forma, é justa, imparcial e que veio para fazer só o bem na vida das pessoas.


Isso não poderia estar mais longe da realidade.


Sem nenhum tipo de regulação ou lei que englobe o o real tamanho e significado da revolução que está acontecendo, a tecnologia se torna uma espécie de mito. Uma deidade mística com seus apóstolos vindos diretamente do Vale do Silício, e seus seguidores, que fazem suas preces e prestam tributos e homenagens em forma de vlog, twitts, textos e fotos. Bytes e mais bytes de um ritual frenético e imparável.


Boas novas e uma visão otimista sobre a coisa toda


Muito do que se disse nesse texto parece coisa saída diretamente da mais criativa mente por trás de filmes de ficção científica e até mesmo um pouco de fantasia.


Acontece que é tudo muito real e, felizmente, já existe muita gente boa que pensa sobre o assunto há bastante tempo e que frequentemente trazem novos estudos, visões interessantíssimas a respeito como também aquelas pessoas que se ateciparam ao maiores problemas que a humanidade enfrenta hoje e que enfrentará amanhã e realmente colocam a mão na massa, transformam sociedades inteiras de um jeito inovador e muito criativo.


Um dos principais nomes dessa lista é o Elon Musk, que além das mais valiosas empresas de tecnologia e exploração espacial, e de carros autônomos também se preocupa com a questão das mudanças climáticas, com a emissão de carbono na atmosfera e com a estagnação e a crise do sistema educacional moderno.


Já na parte brasileira, um dos maiores nomes que me vem a cabeça é o Luli Radfahrer.


Profissional voltado ao aconselhamento, crescimento e desenvolvimento de startups, guru da tecnologia e palestrante, traz há anos dados e informações sobre a "curva exponencial" de evolução a qual estamos atravessando e as implicações que isso terá nas nossas vidas na economia, no comportamento e nas relações entre as pessoas.


A verdade é que com a revolução 4.0 da indústria, quase todos os empregos que conhecemos irão desaparecer, mas em contrapartida, vários outros ainda inimagináveis irão surgir.


Áreas como educação, saúde, a área de justiça e direitos civis, o comércio, estão sendo e serão ainda muito impactadas por todas essas mudanças.

Sendo assim, se faz necessário cada dia mais compartilhar o conhecimento e inserir todas as pessoas dentro desse novo mundo, que e promissor e está só no começo e as API's precisaram ser a cada dia mais intuitivas e práticas ao ponto de esquecermos que eles sequer estão ali. Baita desafio pra sociedade e pra nós programadores.


Se você leu esse texto até o fim e gostou do conteúdo, deixa o seu like ou setinha pra cima pra que receba o feedback de vocês e possa a cada dia trazer um conteúdo mais relevante e de melhor qualidade.


Pra quem não me conhece, eu sou o Viny. Desenvolvedor back end Java em início de carreira e apaixonado por pessoas e tecnologia.


Gostaria de pedir um favor à você. Se você achou esse texto interessante, clique aqui e deixe uma setinha pra cima e um comentário sobre o que você pensa sobre esse artigo.


Esse texto está concorrendo à um concurso de melhor texto sobre tecnologia e desenvolvimento pessoal e seria de grande satisfação ter o meu trabalho reconhecido por pessoas tão inteligentes e capazes.


Semana que vem tem mais.


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Luli Radfahrer

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Comentários (2)

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Vinícius Ferreira

Vinícius Ferreira

25/03/2021 00:03

Muito legal. Não conhecia. Vou procurar sim.


Depois veja uma palestra do Luli Radfahrer. Hoje ele é um dos comunicadores com uma das visões mais legais sobre o assunto.


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João Matias

João Matias

24/03/2021 23:40

Muito bom o artigo. Me fez lembrar de vários aspectos relatado no livro "A QUARTA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL" de KLAUS SCHWAB. Recomendo a leitura desse livro, segue uma parte da introdução:

"Atualmente, enfrentamos uma grande diversidade de desafios fascinantes; entre eles, o mais intenso e importante é o entendimento e a modelagem da nova revolução tecnológica, a qual implica nada menos que a transformação de toda a humanidade. Estamos no início de uma revolução que alterará profundamente a maneira como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Em sua escala, escopo e complexidade, a quarta revolução industrial é algo que considero diferente de tudo aquilo que já foi experimentado pela humanidade.

Ainda precisamos compreender de forma mais abrangente a velocidade e a amplitude dessa nova revolução. Imagine as possibilidades ilimitadas de bilhões de pessoas conectadas por dispositivos móveis, dando origem a um poder de processamento, recursos de armazenamento e acesso ao conhecimento sem precedentes. Ou imagine a assombrosa profusão de novidades tecnológicas que abrangem numerosas áreas: inteligência artificial (LA), robótica, a internet das coisas (IoT, na sigla em inglês), veículos autônomos, impressão em 3D, nanotecnologia, biotecnologia, ciência dos materiais, armazenamento de energia e computação quântica, para citar apenas algumas. Muitas dessas inovações estão apenas no início, mas já estão chegando a um ponto de inflexão de seu desenvolvimento, pois elas constroem e amplificam umas às outras, fundindo as tecnologias dos mundos físico, digital e biológico."

At struggle with entropy...

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