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5 dicas de como estudar melhor, evitando Burnouts e o Princípio de Pareto

#Python #Java #JavaScript
Vinícius Ferreira
Vinícius Ferreira

O mundo mudou.

De todas as quebras de paradigmas sociais da história, certamente a Indústria 4.0 foi, até agora, a que causou o maior dirsrupção na forma como pensamos, agimos e planejamos o futuro.

Eu comecei a aprender programação há apenas 11 meses atrás e foi uma das coisas mais impactantes e importantes da minha vida. Com certeza a melhor decisão que já tomei.

Tive a oportunidade de ter contato com um dos melhores e mais difíceis cursos de Introdução à Ciências da Computação do mundo. O CS50 de Harvard University, e lá, aprendi muitas coisas que são exteriores à programação, mas igualmente importantes.

O curso é fantástico. Uma das coisas mais legais que já fiz (e uma das mais desafiadoras, com certeza). Esse artigo é pra você, que assim como eu, tem pouca ou nenhuma experiência com essa nova forma de pensar, de agir e de enxergar o mundo e tem encontrado dificuldades em saber o que estudar, quando estudar e por quanto tempo estudar.

Como resolvedores de problemas, verdadeiros programadores precisam antes de tudo, aprender a aprender. Talvez uma das habilidades mais importantes do séc. XXI e que pode ser a diferença entre o sucesso ou fracasso na nossa área.


Nem oito, nem oitenta. 80/20.


O principio de Paretto, em suma, diz que para todo processo, 20% das ações geram 80% dos resultados.

Esse fenômeno foi observado no final do séc. XIX pelo economista italiano Vilfredo Pareto onde notou que 80% das terras da Italia, pertenciam à 20% da população, que em seu jardim, 20% das vagens continham 80% das ervilhas.

O principio de Paretto se mostrou tão presente que hoje é utilizado em praticamente todas as área do conhecimento humano, incluindo previsões climáticas e de terremotos, por exemplo e foi usado largamente no comércio pré Amazon até meados de 2010.

Quando iniciei minha jornada como estudante de programação, me deparei com uma infinidade de assuntos e coisas pra estudar. O que começou com muito entusiasmo e animação, rapidamente se transformou em sucessivas experiências de frustração e desespero.


A coisa foi tão séria que me travou várias vezes e eu não consegui sentar na frente do meu computador, às vezes por dias e isso tem tudo a ver com o Princípio de Pareto.

A área de T.I é infinita. De fato, é bem fácil se pegar lendo sobre um assunto numa documentação de linguagem ou mesmo na internet, e se ver cada vez mais fundo em links que, consequentemente te levam pra outros links, e outros... não tem fim.

O framework da moda, o novo protocolo de comunicação, API's, PWA's, Serviços Distribuídos, SOLID, KISS, HTTP, HTML, Serverless...


É tanta informação, são tantas siglas, que facilmente nos vemos com o dilema do que estudar primeiro, o que priorizar e, quando conseguimos escolher, nos sentimos culpados por não estarmos dando a devida atenção aos outros assuntos também muito importantes.

Fiquei durante muitas vezes num estado de paralisia, sem saber pra onde ir e o que ver em seguida.


Evitando burnouts e o jeito certo de estudar


Como explicado nos parágrafos acima, saber o que estudar e como estudar pode se mostrar bem desafiador na nossa área. Não só pela quantidade de assuntos, campos e tópicos existentes, mas também pela velocidade com que novas tecnologias e técnicas surgem todos os dias.

Sendo assim, é preciso que nos adaptemos às profundas mudanças e exigências do mercado pra não ficarmos pra trás. Abaixo, deixo alguns insights que tive enquando lutava com os seguintes dilemas:


  1. Se tudo é importante, então o que estudar primeiro?
  2. O que estudar em seguida?
  3. Qual a forma mais performática e eficaz de realmente se aprender qualquer coisa?


Bom, antes de qualquer coisa, é bom salientar que não existe realmente um "jeito certo de estudar" e nem de qualquer coisa referente à área de programação.

Como diz aquela máxima: "não existe bala de prata" e toda pessoa tem seus próprios meios de estudar. Algumas gostam de ler, outras aprendem mais vendo videos tutoriais, enfim...

Mas com alguns números referentes à pesquisas e observações de programadores melhores e mais experientes inseridos na indústria é possível traçar alguns planos de forma a potencializar o aprendizado. São eles:


  • 20% do código de um sistema detém 80% da complexidade.
  • 20% das funções consomem 80% dos recursos computacionais.
  • Com 20% de API's básicas de linguagens como Java, Python e JavaScript é possível construir 80% de uma aplicação... E assim por diante.


A palavra chave aqui é prioridade.


Enfim, as dicas.


1) Aprenda uma e só uma coisa de cada vez.


É fato que na nossa área é facil se perder no mar de conteúdos principalmente disponíveis na internet. Tem sempre um bootcamp, uma semana disso, uma trilha daquilo. Mas na nossa área, quando mais você souber priorizar quais conteúdos realmente são essenciais, mais irá encurtar a sua jornada no domínio daquela técnica, linguagem ou framework. Pra isso, é preciso que você faça um exercício crítico sobre a sua área de atuação.

Se for desenvolvimento web, suas respostas serão um pouco diferentes de um desenvolvedor mobile ou de um cientista de dados. Faça uma rápida pesquisa do que é a base da sua área de atuação e separe o que é fundamental do que é incremental.

Separe tudo o que você precisa e quer estudar em dois grupos. Os 20% dos assuntos essenciais em que você passará 80% do tempo estudando e os 80% de todos os outros assuntos em que você passará somente 20%.

No início da carreira, geralmente os 20% mais importantes são relacionados às bases da computação como lógica, algoritmos, estruturas de dados, Test Driven Development e arquiteturas de sistemas.


2) Estude incrementalmente, em pequenos passos e em módulos


Escolha um assunto. Divida esse assunto em tópicos. Crie um sistema onde você possa facilmente testar em pequenos projetos práticos o que aprendeu. Quanto menor for o campo de conhecimento em que você estiver investindo o seu tempo, mais rápido encontrará respostas, mais rápido vai dominar o assunto e mais fácil as informações vão se sedimentar em conhecimento sólido e confiável na sua cabeça.

Lembre-se se. Você só precisa dominar os 20% do conhecimento de base. A essência.


3) Crie uma agenda. Organize seu tempo e seus recursos


Cada pessoa tem uma rotina diferente, prioridades diferentes e diferentes recursos. Sendo assim, é prática extremamente eficaz, organizar seus estudos em pequenos sprints como no Kanban e no método Ágil de desenvolvimento de software.

Dessa forma o seu cérebro já irá eliminar todo o esforço que você faria pra decidir o que estudar naquela semana.

Criando uma agenda, você elimina, por inferência, a necessidade do seu cérebro ficar pensando em tudo aquilo que você não está estudando.

Como os sprints são menores, o seu feedback também virá em menor tempo.

Erre rápido pra acertar mais rápido ainda. Esse é meu lema.


4) Ensine


Nas últimas pesquisas da ciência envolvendo a arte de aprender (sim, é uma arte), não há nada mais eficaz para o cérebro para solidificar um conhecimento do que ensiná-lo a alguém. Você pode ver essa palestra no TedTalk sobre as descobertas mais recentes no campo da neurociência de como aprender mais rápido e melhor.

Conceitos como neuroplasticidade e processamento inconsciente são ferramentas poderosíssimas pessoas que rotineiramente estão envolvidas na solução de problemas complexos.

O famoso cientista Richard Feynman possui uma técnica desenvolvida por ele e que consiste em muita coisa dita nesse artigo e muito mais.

Se você consegue explicar um assunto complexo pra uma criança ou pra uma pessoa mais antiga que não sabe nada sobre sua área, é um sinal de que você realmente entendeu e sedimentou o conhecimento no cérebro.


5) Descanse


No nosso mundo capitalista essa palavra é quase que um tabu. Mas para programadores o descanso pode ser tão importante quanto o trabalho.

Quem tem mais tempo nessa área, com certeza poderá relatar momentos em que se passou horas e horas, talvez dias a fio tentando resolver uma questão complexa e tudo o que ele conseguiu foi, talvez, piorar ainda mais a situação.

Daí, magicamente após um bom fim de semana de descanso e lazer, sem pensar muito no assunto que durante dias te tirou o sono, você volta pro computador, e como num ato de bruxaria, de alguma maneira você encontra uma solução perfeita pro problema. A solução estava embaixo do seu nariz o tempo todo e você não consegue acreditar que levou 10 minutos pra resolver o que você não conseguiu em uma semana inteira. Mágica, não? Na verdade, não.

Acontece que nosso subconsciente lida com centenas, talvez milhares de pequenos assuntos em background, sem que nós percebamos. Aquele problema que você gastou horas à fio empacado na frente do computador não deixou de ser processado quando você foi pro sítio se divertir com a sua família. Ele só ficou rodando em segundo plano.


Resumindo: o descanso e o lazer são o garbage collector do nosso cérebro.

Take a break. É sério.


Essas foram as cinco dicas para um estudo mais eficiente e eficaz.

No próximo artigo, eu falarei sobre alguns canais obscuros no youtube, que não são tão conhecidos por nós brasileiros, mas que me abriram novos horizontes, até então desconhecidos por mim.

Se gostou, clique na setinha pra cima. Se não, deixe aqui nos comentários o motivo pra que eu possa melhorar e evoluir.


Se tem mais alguma dica que considere valiosa e que não foi dita nesse texto, fique à vontade. A casa é nossa.

Abaixo, alguns links de referência.



Pareto

https://pt.wikipedia.org/wiki/Princ%C3%ADpio_de_Pareto

Paradoxo da Escolha

https://www.ted.com/talks/barry_schwartz_the_paradox_of_choice?language=pt-BR

Indústria 4.0

https://www.youtube.com/watch?v=VZwzZFICI6Y

Neuroplasticidade

https://www.youtube.com/watch?v=7BQtaFQqDTg

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Comentários (21)

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Vinícius Ferreira

Vinícius Ferreira

03/03/2021 08:32

Pessoal, que bom que pude ajudar de alguma forma.

Essas dicas que eu escrevi no texto são aplicadas todo dia por mim nas minhas decisões de como e o que estudar.

Saber priorizar é fundamental na nossa área, quiçá, na vida.

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Rafaella Leal

Rafaella Leal

26/02/2021 20:31

Adorei o artigo! Estou exatamente nessa jornada que você mencionou entre focar em um mar de possibilidades.


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R

Rodrigo Pedroso

25/02/2021 20:18

"No próximo artigo, eu falarei sobre alguns canais obscuros no youtube, que não são tão conhecidos por nós brasileiros, mas que me abriram novos horizontes, até então desconhecidos por mim." Já postou esse artigo?


Obrigado por este artigo, muito bacana!!!

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Diego Cezarino

Diego Cezarino

19/02/2021 15:07

Artigo sensacional @Vinícius, contribuiu e muito.

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B

Bruno Paula

15/02/2021 09:52

Muito bom o seu artigo Vinícius, parabéns! Reflete bem os dilemas de quem está iniciando a carreira.

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⚡Eros Lima

⚡Eros Lima

15/02/2021 07:39

Citar neuroplasticidade e Paretto foi muito bom,

Congrats, ótimo relato Vinícus Show D+

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J

Jacson Polonha

14/02/2021 21:44

Excelente artigo! Me identifico bastante com essa questão do que estudar, e com a quantia enorme de conteúdo que se encontra por aí, que por muitas vezes nos deixam ainda mais confusos! Obrigado pelas dicas, com certeza irei aplicá-las!

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Plínio Marini

Plínio Marini

14/02/2021 21:50

Vinícius, excelente texto! De fato muitas vezes não nos permitimos ou não sabemos descansar. Parabéns pelo texto

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Vinícius Ferreira

Vinícius Ferreira

15/02/2021 03:32

@Ricardo Neto, muito bacana seu relato. Eu entendo demais que a área de cyber security é bem diversificada e entendi bem o ponto onde você diz que precisa meio que lidar com o caos. Mas antes do caos, você precisou aprender alguns conceitos e alguns fundamentos comuns à qualquer pessoa de tecnologia.

Tenho essa mesma curiosidade e inquietação pelo "conhecimento pelo conhecimento" e, muito provavelmente irei criar uma agenda de dias em que só vou fazer prática deliberada. Sem um fim específico, visando as coisas que mais me interessam e tal.

Só que quando for fazer isso, eu quero estar com uma estabilidade na carreira.

Por enquanto eu preciso priorizar alguns assuntos e técnicas mais por conta do mercado mesmo.

Mas estudar programação é bom demais de qualquer forma.

Às vezes preciso me policiar pra descansar.


No próximo artigo vou dar algumas dicas de canais obscuros no youtube e tenho um (que é um dos meus preferidos) voltado a cyber security num nível mais baixo possível. Tipo, vivendo no Terminal mesmo.

Invertendo binários, achando exployds das formas mais loucas. Você vai curtir com certeza.

Talvez amanhã ou terça...

Grande abraço, galera e obrigado pelos elogios.

Prometo trazer cada vez mais conteudo de qualidade pra acrescentar pra galera!

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Ricardo Neto

Ricardo Neto

15/02/2021 03:12

Seu texto é muito bom e bem fundamentado, gostei muito, conseguiu me explicar o que meu chefe a

um tempo atrás tentou me fazer entender. E sim ele se aplica bem a área de desenvolvimento mas área de segurança,

não sei se teria a mesma eficácia.

Sou dev javascript, flertando desde de o início com segurança, de forma mais

específica red team, no caso o invasor do sistema, web, mobile, cloud, redes, iot, IA, de forma abrangente mesmo porque nunca sei bem o que vou encontrar pela frente, nessa perspectiva o que me dá força e perspicácia é a mistura descontrolada de conhecimento, que desperta o fora da caixa, o que ninguém pensou ou tentou, é o que tenho sentido pois diferente de um dev, não pretendo dominar a tecnologia, e sim entender bem como ela funciona. Isso é fundamental, a poucas semanas fiz o meu primeiro reporte a um grande e-comerce Brasileiro, a falha descobri por ventura testando extenções no navegador, e só consegui evoluir até uma POC ( prova de conceito ), pelo vasto pouco de cada coisa estudada sem ordem alguma ou organização, simplesmente com objetivo de conseguir invadir.

Essa é minha jornada mais prazerosa, estudar por estudar qualquer coisa, desde assembly até a aws, não domino nenhuma das duas coisas, mas nenhuma delas me soa estranha, é como se fosse o inverso do que você diz, e isso me faz despertar uma conclusão, tenha objetivo, também tenha sua forma de aprender, siga bons exemplos mas também construa com coragem o seu caminho.


Obs: Desculpe os erros ortográficos.

At struggle with entropy...

Brasil